Ainda que em alguns momentos parece ser possível que Scorsese utiliza o 3D como os outros usam - apenas para causar um certo furor na tela.
De resto temos em frente aos nossos olhos a mágica do cinema. A rememoração do momento mágico em que o cinema se tornou espetáculo. A possibilidade de trazer aos nossos olhos - e quase ao tato - a beleza que é essa coisa de outro mundo que é o cinema e que é tão desse mundo humano. Pois o humano, ainda que num tempo de palpabilidade de pragmatismo, ainda se liberta às vezes para abrir espaço à imaginação, ao sonho.
Encontrar a figura daquele velho Méliès - a máquina quebrada - sendo levada ao conserto através da reconstrução ficcional daquilo que foi o começo do cinema é algo que nem tenho como explicar. Pensava eu que meu amor pelo cinema era grande, mas talvez seja maior ainda.
A mágica recontada me fez chorar. Os olhos incomodados com aqueles óculos se limpavam com o líquido salgado.
Amar o cinema é amar o ser humano. Capaz de sonhar. Capaz de inventar. Capaz de reinventar. Capaz de sentir. Capaz de traduzir. Capaz de construir e reconstruir mundos. Pois há algo mais profundo no cinema do que a simples busca pela sensação breve ao se estar sentado numa poltrona e quase tocando aqueles personagens que passam na nossa frente. Pois no cinema sempre há de existir o ser humano.
Amor.
P.S.: Fui obrigado a assistir uma cópia dublada, mas ainda sim valeu a pena.

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