segunda-feira, 5 de março de 2012

Enquanto se enxuga as lágrimas nos óculos 3D - Sobre Hugo Cabret



A vida já é em 3D! E o que o Sr. Scorsese faz em A Invenção de Hugo Cabret é mágica tridimensional. Talvez seja só nas mãos de quem saiba fazer que uma arma como o 3D parece funcionar para chegar ao objetivo de magicizar a vida e vivificar a mágica.

Ainda que em alguns momentos parece ser possível que Scorsese  utiliza o 3D como os outros usam - apenas para causar um certo furor na tela.

De resto temos em frente aos nossos olhos a mágica do cinema. A rememoração do momento mágico em que o cinema se tornou espetáculo. A possibilidade de trazer aos nossos olhos - e quase ao tato - a beleza que é essa coisa de outro mundo que é o cinema e que é tão desse mundo humano. Pois o humano, ainda que num tempo de palpabilidade de pragmatismo, ainda se liberta às vezes para abrir espaço à imaginação, ao sonho.

Encontrar a figura daquele velho Méliès - a máquina quebrada - sendo levada ao conserto através da reconstrução ficcional daquilo que foi o começo do cinema é algo que nem tenho como explicar. Pensava eu que meu amor pelo cinema era grande, mas talvez seja maior ainda.


A mágica recontada me fez chorar. Os olhos incomodados com aqueles óculos se limpavam com o líquido salgado.

Amar o cinema é amar o ser humano. Capaz de sonhar. Capaz de inventar. Capaz de reinventar. Capaz de sentir. Capaz de traduzir. Capaz de construir e reconstruir mundos. Pois há algo mais profundo no cinema do que a simples busca pela sensação breve ao se estar sentado numa poltrona e quase tocando aqueles personagens que passam na nossa frente. Pois no cinema sempre há de existir o ser humano.

Amor.

P.S.: Fui obrigado a assistir uma cópia dublada, mas ainda sim valeu a pena.